Tratamentos

Não existe, até aos dias de hoje, cura para a Síndrome de Fadiga Crónica (SFC), nem terapêutica específica que funcione com todos os doentes. As abordagens mais eficazes são as combinações terapêuticas que associam tratamentos farmacológicos e não farmacológicos e estratégias de autogestão da doença, que podem aliviar alguns sintomas e melhorar a qualidade de vida dos doentes com Síndrome de Fadiga Crónica

A diversidade das manifestações da doença e a variedade das necessidades dos doentes com SFC justifica plenamente que a sua abordagem terapêutica seja realizada por uma equipa multidisciplinar, em que todos os profissionais intervenientes devem conhecer as terapêuticas potencialmente úteis para o controlo dos sintomas da SFC, de modo a tentar encontrar a que é mais eficaz para cada doente.

A terapêutica da SFC deve ser multifacetada, mas a abordagem dos doentes deverá ser individualizada. De igual modo, uma abordagem correta e responsabilizadora do próprio doente pode melhorar muito a função e a qualidade de vida de muitos deles.

O envolvimento ativo do doente, quer na escolha quer na realização das diversas modalidades terapêuticas utilizadas para o controlo da sua doença, torna-o mais aderente e colaborante aumentando assim a eficácia do tratamento.

Tratamento farmacológico

Não existem medicamentos específicos para tratar a Síndrome de Fadiga Crónica, sendo que a terapêutica utilizada é para aliviar sintomas específicos que podem variar de doente para doente.

Os medicamentos podem também ter que ser periodicamente alterados por perderem a sua eficácia. Os doentes com SFC parecem ser particularmente sensíveis a determinados fármacos, em especial aqueles que atuam no Sistema Nervoso Central.

O tratamento farmacológico da Síndrome de Fadiga Crónica pode recorrer à utilização de analgésicos, relaxantes musculares, antidepressivos (incluindo os antidepressivos tricíclicos e os inibidores da recaptação da serotonina), medicamentos antivirais e imunológicos, ansiolíticos, indutores do sono, estimulantes e anticonvulsivantes, entre outros medicamentos que possam ajudar a controlar os sintomas.

A descoberta do conjunto de medicação adequada para cada doente não é imediata e por vezes é necessário vários ajustes e substituições de medicação e dosagens até encontrar a terapêutica mais eficaz para os sintomas sentidos por cada doente. Da mesma forma, os medicamentos, mesmo que adequados, podem demorar algum tempo a surtir efeito, por isso o doente não deve desanimar ou considerar que a medicação não é adequada para si, se não sentir efeito nas primeiras semanas.

Também é de referir que o tratamento medicamentoso implica, por vezes, o aparecimento de efeitos adversos que não devem ser confundidos com novos sintomas da doença. Apesar do aparecimento de efeitos secundários da medicação, os mesmos podem ser quer transitórios quer constantes e por isso, em qualquer um dos casos, os doentes não devem abandonar a sua medicação sem conversarem com o seu médico.

Saiba mais: Tratamento Farmacológico na Síndrome de Fadiga Crónica

Exercício Físico

Os doentes com Síndrome de Fadiga Crónica geralmente têm dificuldade em manter uma prática regular de exercício físico devido à fadiga, à intolerância ortostática ou à dor, uma vez que mesmo um baixo nível de esforço pode desencadear o mal-estar pós-esforço.

Cada doente tem um nível de tolerância diferente, por isso, cada um tem que avaliar qual a atividade adequada para si, que lhe cause conforto e proporcione relaxamento. O efeito da prática de exercício difere de doente para doente, dada a singularidade de sintomas que cada um tem, por isso a prescrição de exercício e o programa estabelecido deve ser individualizado. Da mesma forma, deve ter-se em conta as preferências individuais na escolha do exercício, escolhendo atividades físicas que os doentes gostem de praticar, facilitando assim a adesão e continuidade da prática de exercício.

Se acha que consegue tolerar algum exercício poderá tentar algumas atividades de baixo impacto tal como caminhadas, yoga, tai-chi ou pilates.

A sensação de agravamento da fadiga e da dor pós-exercício nos primeiros meses de prática é natural, mesmo com exercício de intensidade baixa, no entanto, com a prática continuada poderá existir uma melhoria dos sintomas.

Apoio psicológico

O tratamento psicológico tem-se demonstrado eficaz no tratamento de doentes com Síndrome de Fadiga Crónica, quando em complementaridade com os tratamentos farmacológicos e não farmacológicos.

Existem vários tipos de psicoterapia, alguns funcionam melhor do que outros a tratar determinadas doenças e síndromes. Em muitos casos os psicólogos podem usar uma combinação de técnicas psicoterapêuticas, de acordo com a individualidade de cada doente.

Os tipos mais comuns de terapias psicológicas são: cognitiva comportamental, psicodinâmica ou psicanálise. O acompanhamento por um psiquiatra pode ser necessário e complementar ao acompanhamento psicológico, em alguns doentes.

A psicoterapia pode ter diversos formatos, tais como individual, em casal, em família ou sessões de terapia de grupo.

A terapia cognitivo-comportamental tem sido demonstrada, em estudos, como sendo a mais adequada no tratamento de doentes com SFC. Esta terapia, através de um programa baseado na educação, tem como principal objetivo capacitar e treinar os doentes a usar técnicas que possam melhorar os seus sintomas. Ao mesmo tempo ajuda a identificar pensamentos e crenças negativas e comportamentos que possam agravar a doença e substituí-los por pensamentos e comportamentos, que possam melhorar o seu estado de saúde físico e emocional.

Outros artigos: Apoio psicológico

Nutrição

A abordagem nutricional é descrita como tendo um grande impacto no estado geral de qualquer doente.

Não existe necessariamente uma dieta específica para a Síndrome de Fadiga Crónica que funcione para todos os doentes. É importante que estes tenham uma dieta saudável e tentem perceber como os alimentos os podem afetar, uma vez que, muitas pessoas têm conseguido aliviar sintomas ao descobrir quais os alimentos que lhes são prejudiciais. Este processo de descoberta demora tempo e necessita de várias experiências de remoção e reintrodução de alimentos de forma individualizada. Ao descobrir-se quais os alimentos que provocam intolerâncias alimentares ou alergias e com a retirada dos mesmos da alimentação diária, está-se a contribuir para a melhoria do estado de saúde.

Para além disso, como muitos doentes também têm a Síndrome do Cólon Irritável associado à SFC é natural que a remoção de alguns alimentos que agravam o quadro da Síndrome do Cólon Irritável possa resultar na melhoria nos sintomas dos doentes.

É importante os doentes terem em conta que não podem simplesmente retirar alimentos da sua dieta diária sem fazer as devidas compensações nutricionais. Em alguns casos, pode ser benéfico o acompanhamento do doente por um nutricionista para avaliar e orientar na descoberta dos alimentos benéficos e prejudiciais em cada doente, prescrevendo uma dieta personalizada.

Outro aspeto relevante e a ter em conta é a importância da dieta e a perda de peso, pois o excesso de peso acrescenta uma sobrecarga estrutural nos músculos e articulações e reduz a eficácia do sistema cardiovascular e deixando o doente mais cansado e fatigado. Assim torna-se importante a monitorização do peso corporal, com o acompanhamento do nutricionista.

Outros artigos: Nutrição

Terapias complementares

Existem terapias complementares que podem ajudar no controlo dos sintomas da Síndrome de Fadiga Crónica, não substituindo o tratamento farmacológico e outros não farmacológicos, mas podendo ser complementares aos mesmos. No entanto é preciso ter atenção ao facto de que algo, denominado como natural, não significa propriamente que seja seguro ou que não tenha efeitos adversos.

Nem todas as terapias complementares funcionam da mesma forma com todos os doente e nem produzem os mesmos resultados, por isso cada doente terá que encontrar os tratamentos que o ajudam mais a aliviar os sintomas. Também é importante que esses terapeutas tenham a formação adequada e experiência em acompanhar doentes com SFC.

É fundamental que os doentes mantenham o seu médico assistente informado de todos os tratamentos e terapias que utilizam, incluindo as utilizadas para o controlo de sintomas da SFC, de forma a evitar efeitos secundários e interações resultantes da conjugação de alguns tratamentos que não devem ser conjugados. De igual modo, ao informar o médico assistente sobre a utilização das terapias complementares, ajudam a que o médico tenha em conta como o doente gere a sua saúde, o que vai ajudar à criação de um plano de cuidados coordenado e seguro para o doente.

Entre as terapias complementares utilizadas pelos doentes com SFC podemos destacar diversos tipos de massagens terapêuticas, acupunctura e medicina tradicional chinesa, terapias de manipulação. Também se pode destacar a meditação, mindfulness, técnicas de relaxamento e de visualização, exercícios de respiração consciente, reiki, hipnoterapia, musicoterapia, escrita terapêutica e arte terapia.

De igual modo, alguns suplementos, produtos dietéticos, ervas e produtos homeopáticos também têm sido utilizados no controlo de sintomas da SFC, sendo importante ter em conta que alguns desses produtos produzem alguns efeitos secundários e alterações quando conjugados com a medicação habitual da doença, por isso deverá sempre manter o seu médico informado de todos os suplementos que tencione tomar.

No que diz respeito à utilização das terapias complementares no tratamento da Síndrome de Fadiga Crónica não há grandes evidências que permitam tirar conclusões de quais terapias são mais eficazes na SFC.

Outros artigos: Terapias Complementares