Sintomas

Os sintomas da Fibromialgia variam de pessoa para pessoa e, na mesma pessoa, variam de intensidade ao longo do tempo, dificultando o tratamento e a própria adaptação do doente a um novo estilo de vida que lhe permita lidar com a Fibromialgia.

Alguns doentes podem manter um nível estável de intensidade dos sintomas, podendo no entanto alternar entre períodos de abrandamento das queixas e até remissão de alguns sintomas e períodos de crise com o consequente agravamento intenso dos sintomas.

O principal sintoma é a dor músculo-esquelética generalizada e difusa, que varia de intensidade e localização, podendo ser acompanhada por formigueiros e parestesias (dormências). Outro sintoma prevalente é a fadiga, que pode ser moderada ou severa, não melhorando com o repouso, nem estando associada a qualquer atividade desgastante. A fadiga é muitas vezes entendida como um enorme cansaço mental, existindo a falta de força e vontade para a realização das tarefas diárias e participação na vida social.

A Fibromialgia é considerada uma síndrome por se tratar de um conjunto complexo de sintomas que à priori não parecem estar interligados. Esta afeta inúmeras partes do corpo o que leva a uma maior dificuldade em diagnosticá-la.

 

Os sintomas principais na Fibromialgia são:

 

Dor

Na Fibromialgia a dor é crónica, generalizada e difusa por todo o corpo, podendo ocorrer uma intensificação e alternância da dor pelas diferentes regiões do corpo. É muitas vezes descrita como uma dor exaustiva, insuportável e profunda e associada a uma sensação de “queimadura”, “ardor” ou “picada”. A intensidade da dor varia de acordo com as horas do dia, a intensidade dos esforços realizados, as mudanças de temperatura, a qualidade do sono na noite anterior, aspetos emocionais ou stress.

Quando os doentes são questionados onde sentem dor, referem que sentem em todo o corpo, sendo dores constantes que pioram ao toque. Os doentes com Fibromialgia apresentam um limiar de dor mais baixa, ou seja, estímulos dolorosos de intensidade igual são muitas vezes sentidos por quem tem Fibromialgia.

 

Fadiga

A fadiga na Fibromialgia é um sintoma que afeta mais de 90% dos doentes. Referida com maior intensidade de manhã, persistente durante todo o dia e frequentemente agravada ao meio da tarde. A fadiga na Fibromialgia não passa com o repouso como acontece noutras situações, ela é persistente e muitas vezes referida como uma espécie de exaustão física e cansaço mental. Esta fadiga pode ser exacerbada pelo estado constante de dor.

Ainda que o doente durma uma noite completa, pode acordar de manhã cansado e com muito pouca energia.

A falta de energia leva a que no dia-a-dia a execução de tarefas consideradas básicas ou simples levem a pessoa à exaustão. A sensação de não ter energia pode tornar mais difícil a execução das rotinas diárias como trabalho, vida social e familiar.

 

Rigidez

Para além da dor, a rigidez pode representar um problema para os doentes com Fibromialgia. Ela é principalmente referida ao acordar ou após longos períodos de permanência na mesma posição, quer se esteja sentado ou de pé. Pode ser descrita como uma sensação de rigidez de articulações e músculos.

 

Alterações do padrão do sono

Mesmo dormindo o número de horas necessárias, os doentes com Fibromialgia referem acordar mais cansados do que quando se deitaram. Tal facto pode ser explicado por estes doentes não se conseguirem manter no estágio 4 do sono, que é o sono mais profundo. O sono dos doentes é superficial, verificando-se constantes despertares noturnos, levando a um sono fragmentado que não é reparador. Desconhece-se a razão pela qual estes doentes têm estas alterações no padrão do sono, sabendo-se no entanto que o seu padrão de sono não é exclusivo da Fibromialgia e é diferente do encontrado em doentes com depressão.

Os distúrbios podem ser classificados como alterações quantitativas (insónias, constantes acordares durante a noite ou sono de curta duração) ou alterações qualitativas (não se acorda descansado, o sono não é reparador mesmo dormindo muitas horas).

 

Perturbações cognitivas

Muitos doentes com Fibromialgia relatam uma variedade de problemas cognitivos e de memória, que podem ser variáveis de dia para dia. Muitos doentes utilizam as expressões “brain fog”, “fibro fog” e “nevoeiro mental”, para resumir as sensações de confusão, esquecimento, falta de foco e de clareza mental, dificuldade de concentração e de retenção de informação, desorientação, falta de memória, bloqueio mental para quando se está a verbalizar uma ideia e confusão mental.

Estes sintomas são muito frustrantes para os doentes, pois dificultam a execução de algumas tarefas mentais que obrigam a concentração e foco. A intensidade destes sintomas pode ser aumentada pela dor, fadiga e qualidade do sono.

 

Perturbações de Humor

Cerca de 2/3 dos doentes com Fibromialgia poderão desenvolver depressão ao longo da vida, enquanto 1/3 dos doentes nunca chegam a desenvolver depressão durante o decurso da doença.

A presença de depressão em alguns doentes poderá anteceder o desenvolvimento da Fibromialgia, tornando-se assim uma patologia concomitante a ela e outros doentes poderão desenvolver depressão ou ansiedade durante o decurso da doença, como consequência de conviver diariamente com dor e todos os outros sintomas da Fibromialgia.

 

Perturbações gastrointestinais

Entre 40 e 70% dos doentes com Fibromialgia referem problemas gastrointestinais dos quais se destacam a obstipação, diarreia, dores abdominais, inchaço, gases e náuseas. Estes problemas estão muitas vezes associados ao Síndrome do Cólon Irritável.

 

Dores de cabeça

São referidas por mais de 50% dos doentes, dores de cabeça recorrentes, assim como enxaquecas ou cefaleias de tensão que podem limitar a atividade diária do doente.

 

Hipersensibilidade

Muitos doentes referem intolerância e hipersensibilidade a determinados cheiros, ruídos, luzes intensas, medicamentos, alimentos, produtos de limpeza e de higiene. Casos extremos destes sintomas podem estar associados à Síndrome de Intolerância Química Múltipla.

 

Outros sintomas comuns

Os doentes com Fibromialgia podem também apresentar outros sintomas como: dormência e formigueiros nas extremidades, intolerância ao frio, sensação de secura na boca e olhos, alergias, dor torácica não cardíaca, tonturas, zumbidos nos ouvidos, visão turva ou desfocada, edema subjetivo, disfunção da articulação temporomandibular, bexiga irritável, menstruação dolorosa, dor pélvica.

Estes sintomas são muitas vezes agravados por fatores como o stress físico e mental, mudanças climáticas, frio, humidade, má qualidade do sono, ruído e excesso de esforço.

 

Doenças concomitantes

A Fibromialgia pode ser concomitante com outras síndromes tais como Síndrome de Fadiga Crónica, Disfunção da articulação Temporomandibular, Síndrome do Cólon Irritável, Síndrome de Dor Miofascial, Síndrome da Bexiga Irritável, Cistite Intersticial, Síndrome das Pernas Irrequietas, o que leva nesse caso ao agravamento ou intensificação de alguns sintomas que são comuns.