O Papel do Exercício Físico na Fibromialgia

Foram as últimas décadas de esforços, por especialistas debruçados sobre o tema do papel do exercício, como componente do tratamento, em pacientes com fibromialgia, que trouxeram o reconhecimento da comunidade científica, médica e generalidade civil. De fato, hoje existe uma quebra da novidade de que o exercício físico é altamente complementar, no controlo dos sintomas e na recuperação das capacidades funcionais diminuídas por desuso. Nesse sentido, a abordagem da inclusão do exercício físico regular na rotina, de uma pessoa com fibromialgia está hoje claro (“confirmado!”) e diversificado (“vários tipos”). O esforço pela adoção de hábitos de vida ativo é evidentemente recomendável, já que contribuem para a manutenção de uma vida funcional e equilibrada, sem limitações para realizar as atividades da vida diária e no equilíbrio emocional/relacional. Apesar da vantajosa constatação, a quebra do ciclo vicioso da inatividade física da dor crónica, tem sido um desafio a vencer. Encorajar, encaminhar, orientar cabe a informação disponibilizada ao doente; mudança e ação cabe ao doente. Assim sendo, dando continuidade, abordam-se aspetos de interesse na promoção e prevenção da saúde funcional das pessoas com fibromialgia.

 

Qual o impacto de uma intervenção física?

Como consequência do sedentarismo, acrescido pelos sintomas de fadiga e dor, as pessoas com fibromialgia que adotam hábitos regulares de exercício físico sentem o efeito das mudanças positivas, na recuperação da função física global e bem-estar. De um modo hierárquico, os benefícios do exercício advêm da recuperação aeróbia por um maior aporte de oxigénio ao organismo e da maior eficácia circulatória retardando ou evitando a instalação precoce da fadiga musculosquelética com repercussões na capacidade energética. Também é recuperada a força, flexibilidade, equilíbrio, coordenação e agilidade, indispensáveis na realização das tarefas diárias e altamente preventivos, em situações de risco como quedas e instabilidade articular, que em caso de incidente ou acidente são fortes precursores de instalação de crise. As estruturas físicas preparadas estão menos vulneráveis a riscos e têm mais resistência, perante as imposições funcionais diárias, permitindo à pessoa um envolvimento e participação normal na rotina. Além disso, o exercício estimula ações dos neurotransmissores como a serotonina, dopamina, noradrenalina e endorfinas, responsáveis por uma sensação de melhor disposição e bem-estar. Damos especial atenção à serotonina, com uma íntima relação com a dor e por fim, o valor atribuído ao exercício moderado no efeito protetor no desempenho do sistema imunitário adaptativo.

 

Quando começar?

Qualquer momento é altura para começar. Não espere pela estação do ano, o mês mais propício, ou pelo (a) amigo (a) que o (a) irá acompanhar. Mude o comportamento e adote o exercício físico, como parte integrada do controlo dos sintomas. Para uma melhor adaptação, procure dar início ao programa em um período que não esteja a vivenciar uma crise, pois nestas fases a introdução não é recomendada. Depois de começar continue! Lembre-se que os efeitos do exercício só se manterão se a prática for continuada, caso contrário serão passageiros.

 

Que opções são mais consensuais?

Interessa recuperar e manter a capacidade aeróbia e as capacidades de cariz neuromotor como a força-resistente, flexibilidade, equilíbrio, coordenação e a agilidade. São valências físicas que repercutem na realização das atividades de vida diária e na continuidade do ciclo vicioso de dor crónica, se não estimuladas. Sendo assim, são potenciais candidatas as seguintes modalidades: Caminhadas, Hidroterapia e Hidroginástica, Prescrição individual de exercícios aeróbio de baixo impacto e força-resistente, Pilates, Tai Chi, QiGong, Yoga, Biodanza e Danças de Salão.

O paciente deverá consciencializar-se que não existe uma solução rápida e que nem todos sintomas solucionam-se com o uso exclusivo da medicação. O sucesso do tratamento está em integrar uma terapêutica farmacológica e não-farmacológica, para a otimização da função e qualidade de vida. O sedentarismo será a pior opção!

 

Autora: Prof.ª Dr.ª Clarissa Biehl-Printes, Membro do Conselho Técnico-Científico da Myos

Data de criação do artigo: 15 de Maio de 2016

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Categories:Exercício Físico e Fisioterapia, Viver com a doença

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