Sintomas

Os sintomas da Síndrome de Fadiga Crónica (SFC) variam de pessoa para pessoa e, na mesma pessoa, variam de intensidade ao longo do tempo, dificultando o tratamento e a própria adaptação do doente a um novo estilo de vida que lhe permita lidar com a SFC.

Alguns doentes podem manter um nível estável de intensidade dos sintomas, podendo no entanto alternar entre períodos de abrandamento das queixas e períodos de crise com o consequente agravamento intenso dos sintomas.

A Síndrome de Fadiga Crónica é considerada uma síndrome por se tratar de um conjunto complexo de sintomas que à-priori não parecem estar interligados. Esta afeta inúmeras partes do corpo, aliado ao fato de ser pouco conhecida pela comunidade médica, leva a uma maior dificuldade no seu diagnóstico.


Os sintomas principais da SFC são:


Fadiga

O sintoma predominante da SFC é a fadiga, que se apresenta de forma profunda, inexplicável e debilitante. Ao contrário de outras causas de fadiga persistente e que surgem gradualmente, a fadiga na SFC parece surgir subitamente.

O doente com Síndrome de Fadiga Crónica sente a fadiga de forma diferente do que uma pessoa saudável pode sentir ao realizar qualquer esforço. Geralmente a fadiga sentida é desproporcional ao esforço realizado e dura mais tempo a recuperar do que normalmente demoraria numa pessoa saudável. Ela pode ser sentida como uma profunda exaustão que é gerada mesmo com níveis mínimos de atividade ou até mesmo sem qualquer razão aparente.

Este sintoma é constante e não melhora com o repouso e os doentes frequentemente referem acordar mais cansados do que quando se deitaram, levando a uma redução nas atividades profissionais, sociais e pessoais do doente. A fadiga pode ser de tal ordem, que atividades tão simples como ir às compras, pentear ou tomar banho se podem tornar tarefas verdadeiramente penosas e quase impossíveis de realizar.


Mal-estar pós-esforço

O mal-estar pós-esforço provoca exaustão intensa, assim como um agravamento de sintomas da SFC, durante pelo menos 24 horas, após uma atividade física ou mental. Alguns doentes com SFC descrevem este sintoma como uma crise ou um colapso que pode, por vezes, demorar dias ou semanas a recuperar, levando doentes a ficar em casa ou de cama.


Problemas cognitivos

Os doentes com Síndrome de Fadiga Crónica relatam uma variedade de problemas cognitivos e de memória, que podem ser variáveis de dia para dia. Muitos doentes utilizam as expressões “brain fog” e “nevoeiro mental”, para resumir as sensações de confusão, esquecimento, falta de foco e de clareza mental, dificuldade de concentração e de retenção de informação, desorientação, falta de memória, bloqueio mental para quando se está a verbalizar uma ideia e confusão mental.

Estes sintomas são muito frustrantes para os doentes, pois dificultam a execução de algumas tarefas mentais que obrigam a concentração e foco. A intensidade destes sintomas pode ser aumentada pela fadiga e pela qualidade do sono.

Os problemas cognitivos podem ser minorados ao limitar a quantidade e exigência das atividades, ao gerir o stress, ao limitar os estímulos sensoriais e ao ter um descanso adequado.


Gânglios linfáticos dolorosos e dor de garganta

Dores de garganta e gânglios sensíveis na região cervical e axilar são sintomas prevalentes na SFC. No entanto estes sintomas podem sugerir a existência de um processo inflamatório que poderia, talvez, ser a causa da síndrome.


Intolerância ortostática

Uma parte dos doentes com SFC sente intolerância ortostática. Isto significa que têm dificuldade em estar de pé ou sentados, mesmo por pequenos períodos de tempo, sendo que este sintoma só é minorado com a posição de deitado. Isso pode justificar o porquê de alguns doentes estarem mais tempos imobilizados de cama ou fechados em casa e com a necessidade de ajuda para as tarefas mais básicas.

A intolerância ortostática, em especial quando se está em pé, pode levar ao aumento da fadiga, fraqueza, náusea, dor abdominal, dificuldade de concentração, nervosismo, falta de ar, tonturas, dores de cabeça, tremores, palpitações e até desmaios.


Dor de cabeça

A dor de cabeça é um dos sintomas mais recorrentes nestes doentes e frequentemente referida na forma de enxaqueca. A causa exata não é conhecida, mas é na maior parte das vezes desencadeada por um estado de fadiga física ou psíquica.


Dor muscular ou articular

Os doentes com o SFC podem sentir dor nos músculos e articulações. A dor pode ser intensificada por um excesso de atividade, sono não reparador, ansiedade e stress.

No entanto é de realçar que muitos doentes com SFC não sentem dores.


Sono não reparador

O sono destes doentes não é reparador, o que faz com que o doente acorde mais cansado do que quando se deitou. Alguns doentes podem ter dificuldades em adormecer ou em dormir uma noite completa.

As alterações do sono são parte da SFC, mas podem ser intensificados por outros fatores como o stress, excesso de atividade e a falta de um bom ambiente para dormir e hábitos de higiene do sono.

O sono pode ser perturbado pela associação de outras condições como a Apneia do Sono, a Síndrome das Pernas Irrequietas e Insónia.


Hipersensibilidade

Alguns doentes referem intolerância e hipersensibilidade a determinados cheiros, ruídos, luzes intensas, medicamentos, alimentos, produtos de limpeza e de higiene. Casos extremos destes sintomas podem estar associados à Síndrome de Intolerância Química Múltipla


Outros sintomas

Odinofagia (dificuldade em engolir), febre baixa, distúrbios intestinais, ansiedade e depressão, alergias, tremores e suores noturnos.


Doenças concomitantes

A Síndrome de Fadiga Crónica pode ser concomitante com outras síndromes tais como Fibromialgia, Síndrome de Intolerância Química Múltipla, Síndrome do Cólon Irritável, Depressão, Ansiedade e Desordens Somatoformes, o que pode levar ao agravamento ou intensificação de alguns sintomas que são comuns.