Diagnóstico

Apesar da alta prevalência da Fibromialgia ela continua sub diagnosticada e sub tratada, podendo demorar meses ou anos até o doente receber o diagnóstico. Durante a procura por um diagnóstico estes doentes costumam passar por múltiplos especialistas e fazer inúmeros exames complementares de diagnóstico, sem que nada seja detetado.

O fato de não existirem exames laboratoriais, radiológicos ou outros que confirmem ou excluam a presença da Fibromialgia faz com que as queixas e sintomas referidos pelos doentes sejam a base do diagnóstico, apesar da sua subjetividade.

A confirmação do diagnóstico da Fibromialgia deve ser realizado por um reumatologista, que são os médicos que habitualmente acompanham estes doentes ou por um médico de outra especialidade que tenha experiência a diagnosticar e acompanhar a Fibromialgia.

Devido à multiplicidade dos sintomas, os doentes poderão ser acompanhados por várias especialidades, dependendo das queixas e sintomas que precisam de tratar, devendo trabalhar em equipa, para um melhor resultado no tratamento. Esta equipa multidisciplinar pode ser formada por médicos de Reumatologia, Neurologia, Medicina da Dor, Medicina Geral e Familiar, Ortopedia, Fisiatria, Psicologia, Psiquiatria, Gastrenterologia, Ginecologia, Urologia, Nutrição e Ortodontia.

 

Critérios de diagnóstico

Os primeiros critérios de classificação e diagnóstico da Fibromialgia foram introduzidos em 1990 pelo Colégio Americano de Reumatologia. Estes critérios eram baseados na presença de dor generalizada por mais de três meses, dor na palpação digital em 11 de 18 pontos gatilho espalhados pelo corpo e a presença de outros sintomas associados. Apesar de já terem sido criados novos critérios de diagnóstico, em 2010, ainda há vários médicos que continuam a utilizar a palpação digital nos pontos gatilho, para confirmação do diagnóstico.

Em 2010 foi realizada uma atualização aos critérios que ajudam a diagnosticar a Fibromialgia, de modo a terem em conta mais sintomas e a incluírem a monitorização da gravidade dos sintomas do doente.

Nos novos critérios de diagnóstico da Fibromialgia, a sua confirmação é realizada do seguinte modo:

  • Presença de sintomas como fadiga, acordar cansado, dor generalizada e alterações cognitivas, durante um período superior ou igual a 3 meses.
  • Resultado superior ou igual a 13 pontos no instrumento de diagnóstico de Fibromialgia, através dos seguintes parâmetros:
    • Índice de dor generalizada maior ou igual a 7 e escala de gravidade dos sintomas igual ou superior a 5;
    • Índice de dor generalizada entre 3 e 6 com a escala da gravidade dos sintomas superior a 9 e com presença de dor abdominal e/ou com depressão e/ou cefaleia, nos últimos 6 meses.
  • Ausência de outra doença que possa explicar a sintomatologia.

 

Diagnóstico Diferencial

Para descartar outras doenças com sintomas semelhantes à Fibromialgia e que possam explicar os sintomas referidos pelos doentes, poderá ser necessário a realização de exames específicos laboratoriais ou radiológicos. Estes exames são fundamentais porque ajudam a confirmar ou excluir outros diagnósticos que se podem confundir com a Fibromialgia. A lista de exames a realizar pode variar de doente para doente, dependendo dos sintomas referidos e da suspeita do médico de potenciais diagnósticos diferenciais.

É importante diferenciar a Fibromialgia de outras doenças, tais como: Síndrome de Dor Miofascial, Síndrome de Fadiga Crónica, Polimialgia Reumática. Infeções como Mononucleose (Epsteinn-Barr), VIH, HTLV, Hepatites, Doença de Lyme, devem ser consideradas como diagnósticos diferenciais.

Os doentes podem ter que ser avaliados para doenças reumáticas (Artrite Reumatoide, Lúpus Eritematoso Sistemático, Espondilite Anquilosante, Polimiosite, Síndrome de Sjögren, Reumatismo Abarticular Politópico, Osteomalacia, Osteoporose, Doença Vertebral Degenerativa), doenças endócrinas (Hipotiroidismo, Hipertiroidismo, Hiperparatiroidismo, Síndrome de Cushing, Insuficiência Suprarrenal), doenças neurológicas (Doença de Parkinson, Miastenia Gravis, Esclerose Múltipla), doenças psiquiátricas (Neurose – Depressão/Ansiedade, Transtorno por Somatização), doenças musculares (Miopatias Inflamatórias, Miopatias de causa metabólica), doenças neoplásicas (Mieloma Múltiplo, Metastização Tumoral), alterações do sono (Apneia do Sono).

O diagnóstico de Fibromialgia não exclui, no entanto, a presença de outras doenças concomitantes, contudo é necessário assegurar-se que não se confunda outra enfermidade com a Fibromialgia, de forma a iniciar o tratamento adequado.