Diagnóstico

Não existem exames laboratoriais, radiológicos ou outros que confirmem ou excluam a presença da Síndrome de Fadiga Crónica (SFC), pelo que essa carência de sinais objetivos tornam as queixas dos doentes, muito subjetivas, mesmo que sejam fundamentais para o diagnóstico.

O diagnóstico é feito procurando sintomas e despistando outras possíveis causas, como outras patologias que possam justificar os sintomas. Os exames complementares de diagnóstico e os testes de rotina ao sangue, geralmente revelam resultados normais.

Devido à multiplicidade dos sintomas, os doentes poderão ser acompanhados por várias especialidades, dependendo das queixas e sintomas que precisam de tratar, devendo trabalhar em equipa, para um melhor resultado no tratamento. Esta equipa multidisciplinar pode ser formada por médicos de Reumatologia, Infeciologia, Neurologia, Medicina Geral e Familiar, Medicina Clínica Geral, Endocrinologia, Psicologia e Psiquiatria.

 

Critérios de diagnóstico

Na Síndrome de Fadiga Crónica não existe até à data nenhum exame auxiliar de diagnóstico que confirme a sua existência. O mesmo é feito através de exame clínico onde podem ser detetadas algumas anomalias, como inflamação na garganta ou sensibilidade dolorosa nos músculos e gânglios linfáticos.

Terá que ser realizado um diagnóstico diferencial para excluir outras doenças que justifiquem os sintomas referidos pelo doente e assim, pode ser feito o diagnóstico de SFC, tendo como base os critérios de diagnóstico estabelecidos por Fukuda, em 1994.

Para ser estabelecido o diagnóstico terão que ser cumpridos dois critérios: existir fadiga presente nos últimos seis meses, associada aos quatro Critérios Major, além da presença de pelo menos quatro Critérios Minor.

 

Os Critérios Major são:

  • Fadiga Crónica;
  • Fadiga não provocada por atividade;
  • A fadiga não melhora com o repouso;
  • A fadiga provoca substancial redução nas atividades profissionais, educacionais, sociais e pessoais.

 

Os Critérios Minor são:

  • Diminuição da memória recente ou na concentração;
  • Odinofagia (dificuldade em engolir);
  • Gânglios linfáticos cervicais ou axilares dolorosos;
  • Mialgias;
  • Sono não reparador;
  • Poliartralgias sem edema ou vermelhidão;
  • Cefaleias de tipo, padrão ou gravidade diferentes;
  • Mal-estar que persiste por mais de 24 horas após exercício.

 

Diagnóstico Diferencial

Para descartar outras doenças com sintomas semelhantes à Síndrome de Fadiga Crónica e que possam explicar os sintomas referidos pelos doentes, poderá ser necessário a realização de exames específicos laboratoriais ou radiológicos. Estes exames são fundamentais porque ajudam a confirmar ou excluir outros diagnósticos que se podem confundir com a SFC. A lista de exames a realizar pode variar de doente para doente, dependendo dos sintomas referidos e da suspeita do médico de potenciais diagnósticos diferenciais.

É importante diferenciar a Síndrome de Fadiga Crónica de outras doenças, tais como Fibromialgia, Doença de Lyme e infeções como VIH e Hepatite Crónica, devendo estas ser consideradas como diagnósticos diferenciais.

Os doentes podem ter que ser avaliados para doenças endócrinas (Hipotiroidismo, Hipertiroidismo, Diabetes Mellitus, Doença de Addison), Doença Celíaca, Anemia, Hemacromatose, Lúpus Sistémico Eritematoso, Polimilagia Reumática, Sarcodoise, Esclerose Múltipla, Doença de Parkinson, Apneia, Miastenia Gravis, Miopatias Raras, Hipercalciémia, Depressão Major, Ansiedade e Desordem Somatoforme.

O diagnóstico de Síndrome de Fadiga Crónica não exclui, no entanto, a presença de outras doenças concomitantes, contudo é necessário assegurar-se que não se confunda outra enfermidade com a SFC, de forma a iniciar o tratamento adequado.