O que é a Fibromialgia?

A Fibromialgia é uma doença crónica caraterizada por dor músculo-esquelética generalizada e difusa, por fadiga extrema, com perturbações de sono, perturbações cognitivas, entre outros sintomas.

Atualmente sabe-se que a Fibromialgia é uma patologia do foro da reumatologia e está associada a uma maior sensibilidade do indivíduo perante um estímulo doloroso. A inclusão desta doença na reumatologia pode ser justificada pelo facto da fibromialgia envolver músculos, tendões e ligamentos, não envolvendo no entanto as articulações, nem comprometendo órgãos internos.

Apesar da Fibromialgia poder apresentar-se de uma forma extremamente dolorosa e incapacitante, afetando a qualidade de vida do doente, ela não causa deformação nem reduz a esperança de vida. As queixas da Fibromialgia variam de doente para doente e podem ser ligeiras ou graves, definindo assim um espectro funcional que vai do mero incómodo até à incapacidade para manter um emprego remunerado, as atividades domésticas ou mesmo para desfrutar o convívio com a família e com os amigos, o que torna a doença heterogénea nas suas manifestações.

Os seus sintomas podem variar de intensidade e podem mesmo desaparecer ou diminuir temporariamente para reaparecerem mais tarde. As remissões são raras, embora por vezes existam ligeiras melhorias nomeadamente da dor e da fadiga.

Os fatores que podem agravar os sintomas são mudanças de tempo, humidade, frio, alterações hormonais, stress, depressão, ansiedade, tensão ou um esforço maior que o habitual.

É uma síndrome que gera alguma incompreensão, por ainda não se conhecer muito bem as causas que estão na sua origem e não haver alterações detetáveis nos exames laboratoriais e nem nos exames complementares de diagnóstico para diagnosticar, sendo o mesmo feito mediante o historial clínico do doente e exclusão de outras doenças. Atualmente sabe-se que existe uma alteração nas áreas cerebrais responsáveis pela perceção e processamento da dor, onde o cérebro dos doentes com Fibromialgia parece ter uma sensibilidade extrema aos estímulos dolorosos que recebe. Isto significa que estímulos não dolorosos para a maioria das pessoas, são interpretados como dor pelo cérebro destes pacientes.

Existem poucas informações disponíveis acerca da evolução e prognóstico da Fibromialgia. Contudo, perante a história natural da Fibromialgia parece indicar que a maioria dos doentes continua sintomática ao longo do tempo, alternando períodos de agravamento dos sintomas com outros de atenuação dos mesmos. As remissões são raras, embora por vezes existam ligeiras melhorias nomeadamente da dor e da fadiga.

As características da Fibromialgia que mais interferem com o seu prognóstico são o modo de início, os sintomas e a gravidade dos mesmos, a presença de angústia e de perturbações do humor, a existência de incapacidade para o trabalho e lazer, tal como a concomitância com outras doenças.

A Fibromialgia foi reconhecida pela OMS, em 1990 e em 1992 foi considerada como uma doença do foro reumático, tendo atualmente o código M.79.7, na CID 10 de 2008.

Prevalência

Esta doença afeta homens, mulheres e crianças de todas as idades, etnias, estatutos. Estima-se que afete, mundialmente, cerca de 2% a 5% da população adulta, dependendo dos países, em que 80% a 90% são mulheres entre os 20 e os 50 anos e a incidência aumenta progressivamente com a idade. Pode ser diagnosticada mais frequentemente na idade adulta, mas também pode aparecer em idosos ou em crianças e adolescentes.

Saiba mais sobre a Fibromialgia nos Homens

Saiba mais sobre a
Fibromialgia nas crianças e jovens 

Em Portugal, segundo um estudo da EpiReuma, estima-se que afete 1,7% da população, com predomínio nas mulheres acima dos 40 anos, sendo que outro estudo estima uma prevalência de 3,6% de casos de fibromialgia. Existem ainda muitos casos que não estão diagnosticados, sendo que muitos doentes vivem com indeterminação de diagnóstico durante muito tempo.

Causas

Não existe uma causa única para a Fibromialgia, dada à complexidade da doença, alguns investigadores admitem poder tratar-se de uma série de causas. A sua patogenia é uma cadeia de acontecimentos em que alguns elos são mal definidos ou mesmo desconhecidos.

A investigação sobre as possíveis causas da Fibromialgia tem-se orientado em áreas como o sistema nervoso central, o sistema nervoso autónomo, o músculo, o sono, causas genéticas, o sistema imunitário, o metabolismo e o estado psíquico dos doentes.

Fatores diversos, isolados ou combinados, podem favorecer o aparecimento da Fibromialgia ou o agravamento dos seus sintomas, entre esses fatores estão: o stress, as doenças concomitantes, traumas físicos (acidente de viação, traumatismo, intervenção cirúrgica, etc.), traumas emocionais (morte de um familiar, divórcio, etc.), infeções, vírus ou alterações hormonais.

Uma vez que nenhuma destas causas ou fatores agravantes se destaca como origem causadora da fibromialgia, é mais provável que sejam uma combinação de fatores e causas que contribua para o desenvolvimento desta síndrome.

História da Fibromialgia

A associação de pontos dolorosos com ‘reumatismo’ foi referida por Balfour (Inglaterra) em 1824 que descreveu pacientes com pontos musculares hipersensíveis à palpação e passíveis de desencadear dor irradiada.

Historicamente a Fibromialgia tem sido apresentada sob vários nomes ao longo dos anos: Fibrosite (1904), Miofibrosite (1929), Síndrome Fibrosítica (1952), Síndrome Fibromiálgica, entre outros; tendo sido adotado o nome de Fibromialgia a partir de 1976.

A enfermeira inglesa Florence Nightingale ficou extremamente doente durante a Guerra da Crimeia (1854-1856), enquanto trabalhava na frente de guerra, nunca tendo recuperado, terminou os seus dias praticamente acamada, até o seu falecimento em 1910. Os relatos referem que ela sofria de dor e fadiga extremas e estudiosos suspeitam que ela padecia de fibromialgia e/ou de síndrome de fadiga crónica, motivo pelo qual, em sua honra, o dia 12 de Maio (dia do seu nascimento) é considerado internacionalmente o dia mundial da Fibromialgia, o dia mundial da Síndrome de Fadiga Crónica assim como o dia mundial do enfermeiro.

Em 1981 surgiram as bases para o aparecimento dos primeiros critérios de classificação da Fibromialgia e, em 1990, o Colégio Americano de Reumatologia publicou os critérios oficiais de diagnóstico da Fibromialgia, tendo passado por várias atualizações, sendo as mais recentes em 2010 e posteriormente em 2016.